TRANSFORMAÇÃO 120 – Amor, Humildade e Mansidão

Por em 22 / outubro / 2017

Três traços que melhoram o relacionamento

com as pessoas no exercício da liderança.

 

Há muita gente na liderança em nossas igrejas com um grau enorme de dificuldade na área de relacionamento. Seja por causa da timidez; seja em função de traumas do passado; com uma porção de preconceitos e atitudes egoístas; com um temperamento explosivo, pavio curto, sem o mínimo de paciência; gente que critica negativamente, que possui uma postura ácida; pessoas com uma insatisfação crônica; gente que murmura, pragueja; que age com falsidade, dissimulação, relacionando-se hipocritamente.

Todas essas tendências e práticas pertencem à natureza de Adão, que herdamos em nossa constituição humana, pecaminosa e perversa. Jeremias trouxe da parte de Deus o seguinte diagnóstico do nosso coração ou da nossa natureza: “O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode conhecê-lo? Eu, o Senhor, examino a mente e provo o coração, para retribuir a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.9,10).

Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, líder da Igreja em Jerusalém, nos dá uma exortação preciosa: “Meus amados irmãos, tende certeza disto: todo homem deve estar pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19,20). A confrontação do apóstolo aqui é muito eficaz. Funciona mesmo. Creio que ele aprendeu a lidar melhor com as pessoas no exercício da sua liderança. Ele coloca muito bem aqui os três traços vitais de um relacionamento saudável: Amor, humildade e mansidão. Então, o amor tem disposição para ouvir o próximo; a humildade sabe esperar o momento para falar e a mansidão não reage negativamente. Jesus era assim. Em todo o Seu riquíssimo ministério, sendo Ele o nosso modelo de liderança, teve atitudes e atos marcados pelo amor, pela humildade e pela mansidão. Deixou muito claro que o Seu amor era incomparável (João 15.13,14) e que devemos aprender dEle que é manso e humilde de coração (Mt 11.29).

O amor, reparte conosco o apóstolo Paulo, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1 Co 13.4-8). O amor supera preconceitos, diferenças, temperamentos, egoísmo, timidez e quaisquer outros sentimentos que não estão em Cristo Jesus. O amor supera todas as barreiras e fossos estabelecidos pelo homem. O amor perdoa, abençoa, encoraja, compreende, aceita e coopera. No amor não há extratos, níveis sociais e econômicos. A linguagem do amor é a da aceitação, do perdão e da festa. O amor ouve, espera e descansa nAquele que tudo pode (Fil 4.13). No amor não há medo. A linguagem do amor é a da coragem, franqueza, legitimidade e coerência.

No verdadeiro amor não há máscaras. O amor olha nos olhos e diz a verdade pura e simples. A humildade, por sua vez, significa que reconheço a minha pequenez, minhas limitações como líder e que sou pó. Como dizia Antonio Vieira, somos pó em pé. Fomos alcançados pela graça. Perdoados por um pecado que não podíamos cobrir e resgatar. Jesus nos libertou a todos pelo Seu sangue derramado na cruz. O Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza, debilidade. A humildade é o oposto da arrogância. Devemos reconhecer sempre as nossas mazelas. Jesus foi humilde de coração (Mt 11.29). Por isso, a humildade sabe ouvir, esperar e descansar. Na humildade considero o outro superior a mim mesmo. A humildade é uma grande benção de Deus nos relacionamentos. Esta foi a orientação sábia de Paulo aos irmãos em Filipos (2.5-8). A humildade é a linguagem da igualdade. Todos nos encontramos no mesmo nível – o da cruz.

A mansidão é o terceiro traço vital nos relacionamentos de um líder. Ser manso é submeter todos os meus direitos ao Senhor. Depositar a minha pretensa reputação aos Seus pés. Jesus sempre foi manso. A mansidão é uma atitude da pessoa regenerada, salva pela graça de Deus em Cristo Jesus. Ela nos aponta para a não-reação negativa, para o caminhar a segunda milha, para o sofrer em silêncio e abençoar os que nos perseguem. Significa vivermos em paz com os outros (Rm 12.18). Então, a mansidão aprende a ouvir, esperar e descansar. Estevão, diante do sofrimento, foi manso. Ele possuía o caráter de Cristo, o caráter do Cordeiro que foi para o matadouro mudo, sem abrir a Sua boca. O profeta Isaías fala claramente acerca desta verdade: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7).

Que esses traços vitais estejam em nós como líderes e nos nossos relacionamentos. Que o Senhor Jesus Cristo domine completamente as nossas relações a partir do nosso coração. Que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações e sejamos agradecidos (Col 3.15). Louvemos a Deus, dignifiquemos o Seu grandioso nome, pelos nossos irmãos aos quais servimos na liderança. Não respondamos ao agravo. Reconheçamos as nossas profundas limitações, falhas e os nossos defeitos. Então, sejamos prontos para ouvir; tardios para falar e tardios para se irar. A justiça de Deus vai agir na vida dos líderes que vivem o amor, a humildade e a mansidão à semelhança de Jesus, nosso Salvador e Senhor.

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