Tempos difíceis exigem sabedoria

Por em 28 / fevereiro / 2017

A atual crise financeira que assola nosso país, fruto de toda sorte desmandos – políticos, financeiros, jurídicos, econômicos e de gestão – afeta a sociedade sem exceções. As instituições religiosas, inseridas nesse contexto, são, evidentemente, afetadas. As igrejas, via de regra, dependem exclusivamente de contribuições voluntárias de seus membros e/ou ofertas. Em contextos de crise de empregos, é natural que as entradas sofram queda.

Dependendo da localidade aonde a igreja está localizada, os impactos podem ser severos ou nem ser percebidos. Se a congregação está localizada, por exemplo, numa área de pólo industrial, com atividades voltadas para a exportação – que ainda mantém-se em alta – pode sentir menos os impactos recessivos. Contudo, são exceções. Entendo que crises não são exatamente uma novidade em nosso país. Nesse particular, os mais experientes se lembram – sem saudades – dos anos 80…

Focando na gestão das igrejas, como atravessar esse período de crise financeira?

Existem particularidades na atual crise.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o governo estadual está parcelando os salários do funcionalismo público. Assim, igrejas situadas em bairros com muitos trabalhadores da esfera pública já sentem os efeitos.‎ Além disso, o desemprego vem atingindo índices já muito esquecidos. dentro de uma visão de gestão responsável e compromissada com o reino de Deus, é necessária sabedoria para garantir que as finanças da igreja resistam as atuais tempestades. Sugiro algumas atitudes básicas:

1) Priorize o que é indispensável.
Assim como em nossa casa, nas crises não relutamos em abrir mão de determinados luxos dispensáveis, como TV a cabo ou daquele pacote caro de celular. Na gestão das recursos da igreja, convém eliminar e/ou suspender supérfluos como decorações do templo (fachada e interiores), impressão colorida de boletins e sistema Wi-fi, por exemplo. Despesas como o sistema de ar condicionado central no templo devem merecer atenção, bem como o uso desnecessário de equipamentos elétricos; eletrônicos espalhados pela igreja.

2) Resista ao caminho mais fácil.
Nesse caso, demissão de funcionários. É o que geralmente as empresas fazem. Afinal, para a maioria das empresas, um trabalhador é um custo que pode ser reposto sem maiores preocupações mais à frente.  No caso da igreja, salvo desmandos, o quadro geralmente é enxuto e os salários são – ou deveriam ser – modestos. Além disso, os custos da rescisão podem complicar ainda mais o caixa da igreja.
Finalmente, mas não por último, lembre-se dá responsabilidade social da igreja.‎

3) Planeje, execute, confira, corrija.

Obras, viagens, cursos, etc.
Todo empreendimento deve ser planejado e re-planejado diante do atual cenário.
Cabe o velho conselho de conduzir as finanças com prudência, meticulosidade e cautela.
Arroubos visionários podem levar a igreja a insolvência em questão de meses.‎
O orçamento – e seu cumprimento – passa a valer ouro na situação atual. Lembre-se disso.

4) Austeridade como norma.
Pintura do templo? Troca do sistema de ar condicionado central? Compra de novo veículo? Atualização do sistema de som?
Nesses casos, cabem as tradicionais perguntas que faríamos em nossa casa: é absolutamente necessário? Posso adiar? Quais os impactos se não fizer isso? Evidente que a manutenção do templo e suas dependências são despesas inevitáveis, mas outras obras, sobretudo de caráter estético, podem aguardar tempos melhores. Como dito no início, as crises vem e vão.

Quem souber atravessá-las com sabedoria, “sobreviverá” sem grandes perdas.‎
Quem insistir em erros primários, poderá passar por períodos de sofrimento.

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