Tempo de ser voluntário – Eteni Barbosa

Por em 9 / maio / 2017

Assim como eu, você não deve estar satisfeito como vem administrando o seu tempo livre. Caso você tenha vontade de ser uma pessoa altruísta (fazer-algo-por-alguém). Mas, não tem ideia por onde começar…Sente-se perdido. Acredite, você não está sozinho!

Apesar de as Organizações das Nações Unidas(ONU) informarem que no Brasil possui 42 milhões de voluntários, muitas são as pessoas que desejam iniciar um trabalho coordenado, organizado em prol do outro; porém não sabem o que fazer nem como iniciar. Vale ressaltar, que dados de uma pesquisa Data Folha revelou que 83% da população diz ver o trabalho voluntário como algo importante e prazeroso.

Diante disso, o primeiro passo a tomar é olhar a sua volta e ver o outro com atenção. Tem sempre uma pessoa precisando de você, do seu olhar, da sua doação. Em um trabalho voluntário encontramos pessoas com histórias de vida: Outro dia em um asilo, conheci uma senhora idosa, que entre lágrimas confessou ser mãe de sete filhos, e que todos, em comum acordo, haviam decidido interná-la naquela instituição sem ao menos consultá-la. Segundo estudiosos, o número sete representa a perfeição. Nesse contexto, não posso negar que tenho dúvidas a esse respeito. Dentre estes sete filhos nenhum pensou diferente, não houve um que se opusesse. Por esta razão, creio que nunca foi tão urgente tornar-se um voluntário. Há muito a fazer: Os leitos dos hospitais estão cheios de pessoas solitárias, os orfanatos com muitas crianças esperando por seu amor, as casas que abrigam menores infratores carentes de pessoas que lhes ensinem os valores e princípios éticos e de boa convivência.

Das vezes que estive à frente, como voluntária, a cena mais impactante foi encontrar um menino sem sapatos, que chorava ao lado da cama sobre a qual se encontrava uma mulher enferma. Fiquei a pensar… Como esse menino conseguiu ter acesso a esta unidade hospitalar sozinho e, ainda por cima, descalço? A resposta veio em seguida, por ele mesmo: ambos encontravam-se internados: a criança e a mãe eram portadores da AIDS. O que ocorria era que o menino sentia-se sozinho por estar num dos leitos do hospital e, naquele momento de choro, reivindicava à mãe ficar ao seu lado. A perplexidade invadiu minha alma, sem entender o episódio como um simples desejo de companhia, durante a permanência no hospital, da janela da sua vida, o filho pressentia o futuro da sua genitora… Tê-la ao alcance das suas mãos era mais que anseio – era uma necessidade da alma. Foram muitos os pedidos dirigidos a esta criança solitária e sofrida para que retornasse ao seu quarto, pois ele não podia permanecer naquele leito,em decorrência de sua mãe dividir o quarto com outra paciente, além da direção do hospital não permitir mãe e filho em um mesmo espaço. Sem aceitar a situação e tampouco inclinado a obedecer as regras, ele resistiu, e não saiu do local.

A mãe ouvia o choro do filho calada. Vendo a situação com olhos de mãe, seria mais fácil acompanhar a evolução da doença, ali na cama ao lado. Como num quarto do lar… Diante daquela situação, como voluntários (exerço esta atividade com outras pessoas) – procuramos à direção médica a fim de buscar uma solução cabível para o problema. Com muita fé e determinados a cooperar com a necessidade daquela criança, a direção liberou, finalmente, que filho e mãe estivessem juntos, internados no mesmo quarto, desfrutando do amor e da cumplicidade que envolve a relação familiar. Infelizmente, o tempo de estarem assim juntos foi pouco, pois na semana seguinte, o quadro clínico da criança agravou-se… Ele despediu-se da sua mãe em decorrência das complicações da AIDS.

Os poucos instantes vividos naquela situação, aprendi a exercer e perseverar-me no trabalho voluntariado…Ao olhar aquele menino descalço e desolado, o qual tinha urgência no que intentava fazer, declinei o meu olhar para dentro de mim mesma e enxerguei o meu interior: é imprescindível deixar para trás muitas coisas que nos impedem de ter um tempo para o outro. É preciso adormecer muito de nós mesmos para focarmos naqueles que carecem do nosso auxílio. Sem dúvida alguma, o dó leva à contemplação, mas a compaixão à ação.

Sendo assim, a ação voluntária, em si, é simples. Tenha a certeza que Deus conta com você para esse serviço. Será um agente de paz, levando consolo e conforto àqueles que precisam. Também levará palavras que influenciam e geram mudança e transformação na vida das pessoas, levando-os a se tornarem cidadãos que exercem sua cidadania cônscios dos seus direitos e deveres, agindo positivamente na transformação da sua realidade e da sua comunidade, também. Agora é a sua vez! #É tempo de ser voluntário.

Eteni Barbosa – Voluntária

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