Porque Jesus morreu antes dos outros dois crucificados?

Por em 8 / maio / 2017

Pela descrição dos Evangelhos a saúde de Jesus já era bem delicada desde o momento em que os três condenados foram obrigados a carregar as cruzes. Ele não conseguia carregá-la, caiu, e os soldados romanos tiveram que forçar um homem a ajudá-Lo.

Para entender porque Jesus chegou a este ponto já tão fraco, temos que lembrar alguns acontecimentos anteriores.

Jesus foi preso na noite de quinta-feira, após uma oração. Foi levado preso e interrogado pelos sacerdotes Judeus. Ali passou a noite até que de manhã foi levado até Pilatos, o chefe romano da região. Nesta noite Jesus dormiu? Quanto de stress Ele viveu neste momento? Recebeu água ou alimento? Quais maus tratos Ele sofreu? Os Evangelhos não revelam estes dados (a não ser um tapa ou outro). Mas podemos imaginar que foram momentos muitos tensos para o Mestre, pois estava no meio de pessoas que O odiavam, que queriam matá-Lo. Estas pessoas devem tê-Lo feito passar fome e sede, devem ter batido Nele. Mas o pior é o stress de estar à mercê de quem quer nos matar (a título de comparação imagine o stress que você sentiria na mão de ladrões assassinos).

Na manhã de sexta-feira é levado até Pilatos. Tem início o Julgamento que termina com Sua condenação e crucificação no período da tarde. Entre o início da manhã e o início da tarde o Mestre deve ter ficado sem água e sem comida. Foi submetido a todo tipo de perguntas, ameaças e humilhações. Antes de ser flagelado vestiram-No com um manto de rei, só para humilhá-Lo mais. Também levou tapas e chutes. Aí encontramos quatro elementos que minaram sua saúde: sede, fome, stress e a flagelação.

O stress agudo, como o que Jesus passou, provoca uma série de reações no organismo que exaure as energias, aumenta o desgaste hídrico (pois a pessoa sua mais), os batimentos cardíacos aumentam, e muito mais. O resultado é que o físico e o mental da pessoa ficam seriamente abalados.

O stress ficou ainda mais acentuado pela decepção e tristeza com o comportamento das pessoas. Esta decepção, horas mais tarde, seria o motivo Dele ter dito: “Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem.”

A flagelação era considerada o segundo pior castigo, perdia apenas para a crucificação. Nela o réu era despido de suas vestes e homens treinados chicoteavam-no. Geralmente o resultado era que o réu desmaiava de dor. Eles o “acordavam” para continuar com o tormento. O chicote abria profundos rasgos no corpo, o que gerava perda de sangue e o deixava em “carne viva”. Depois de passar por este tormento, o réu necessitava de muitos dias para se recuperar. Jesus foi mandado para a cruz.

A perda de sangue e o sofrimento foram aumentados com a “coroa de espinhos” que colocaram em sua cabeça. Quem já cortou a cabeça sabe quanto sangue sai dela. A “coroa de espinhos” também demonstra o sadismo e a brutalidade com que os soldados trataram-No. Tudo foi feito para humilhá-Lo ao máximo, para fazê-Lo sofrer ao máximo.

Depois de horas e horas submetido a este massacre moral e físico, Jesus não era mais capaz de carregar a própria cruz. Sua saúde estava bastante abalada. Era chegada a hora da crucificação.

Ele foi pregado na cruz. Mais dor, sofrimento e perda de sangue. O material infectado que foi introduzido em seu corpo começou a provocar infecção. A cruz foi levantada e Seu corpo ficou dependurado.

Alguns detalhes técnicos sobre a crucificação: no tipo de crucificação aqui tratada, o crucificado sustentava seu peso na cruz com a força dos braços e das pernas. À medida que ia perdendo as forças, e não conseguia mais manter seu corpo, o infeliz não conseguia mais respirar, seu corpo recebia cada vez menos oxigênio até que em determinado momento morria. (No caso dos dois bandidos para acelerar suas mortes foi decidido aplicar o crurifragium, ou seja, quebrar as pernas dos crucificados a fim de que estes ficassem sustentados apenas pelos braços e assim morressem rapidamente asfixiados.) Portanto existe uma relação direta entre a condição física da pessoa e o tempo que ela consegue resistir na cruz.

Já sabemos que as condições físicas do Mestre eram muito ruins ao ser pregado e içado com a cruz. Portanto, sua capacidade de resistência foi menor que as dos outros dois.  Sua pouca força fez com que em poucas horas não tivesse condição de suportar mais seu próprio peso. E o fim chegou.

fonte. rmesquita.com.br

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