Cuidando do Rebanho com Responsabilidade

Por em 21 / fevereiro / 2017

“Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12.8).

Por que os obreiros do Senhor precisam ter vida ilibada? A Bíblia fala mais de como deve ser o líder do que sobre suas atribuições. Isso nos mostra que Deus pensa acerca desse importante pré-requisito. Não importa a formação ou a experiência que alguém possa ter. Se não preencher as qualidades da moralidade bíblica, é inapto para ser líder na igreja de Deus.

Paulo disse a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo” (1 Tm 4.16). Por que isso é tão importante? Os sacerdotes do Antigo Testamento tinham de praticar rituais de lavagem e purificação, bem como de ofertas de sacrifícios por seus próprios pecados, antes de poderem ministrar em favor do povo. Como poderiam interceder pelos outros, enquanto seus próprios pecados não fossem cobertos? Da mesma forma, a liderança espiritual sem caráter correspondente é mera atividade religiosa, negócio, ou hipocrisia.

O ministério de amor e compaixão não pode ser imposto a quem quer que seja. O dever dos pastores não deve ser cumprido meramente porque lhes foi dada essa responsabilidade. É preciso haver um “impulso interior”, embasado no amor cristão. A inspiração do pastor, em seu trabalho, deve provir do íntimo, sem empecilhos e obstáculos de ordem pessoal. Isso sugere que todo serviço prestado por ele deve ser um subproduto do seu desenvolvimento espiritual, de tal modo que seja uma obra do Espírito e não da carne. Tudo que o homem faz, depende de sua experiência pessoal com Deus, caso contrário, seu trabalho será motivado por razões errôneas.

Nas palavras finais da sua primeira epístola, Pedro dirige seus ensinos aos ministros do evangelho, no que concerne às suas atitudes ao cuidarem do rebanho de Deus. Aqueles que são líderes precisam tomar cuidado a respeito de como devem alimentar, proteger e guiar as ovelhas do Senhor. O presente texto adverte-os claramente nesse sentido. O serviço do pastoreio deve ser feito:

  1. a) não por necessidade, mas espontaneamente;
  2. b) não por ganância, mas de boa vontade;
  3. c) não como um ditador, mas sendo modelo do rebanho.

Esta lição mostrará também um pouco da árdua e delicada missão daqueles que o Senhor chama para o seu santo ministério, com a incumbência de Lhe apresentarem “um povo seu, especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14).

Os oficiais da igreja 

O obreiro presbítero (v.1). Através do Novo Testamento, os termos presbíteros, bispo e ancião são empregados alternadamente, como em At 20.17,18; At 14.23; 1 Tm 3.2; Tt 1.7. Dentre esses obreiros, uns tinham ministério de âmbito local, (igreja local); outros, de âmbito regional, lideravam um grupo de igrejas de uma determinada área. Tratava-se de um ministério de liderança espiritual. Ver At 14.23; 20.17,28; Ef 4.11; 1 Pe 5.1; 1 Tm 3.2; 5.17.

A humildade e a autoridade apostólica de Pedro 

  1. Humildade.“Sou também presbítero com eles” (v.1). Pedro não vindica sua superioridade apostólica, eclesiástica, e muito menos papal, como ensina a igreja romana. Era de fato uma testemunha dos sofrimentos de Cristo e podia conservar distinta sua posição de apóstolo. Entretanto, aqui ele se apresenta com profunda humildade, nivelando-se aos demais colegas de ministério, os quais exortava. Em sua primeira epístola, capítulo1 e versículo 1, Pedro identificou-se como apóstolo certamente para dar credibilidade ao conteúdo de sua doutrina.
  2. Autoridade atestada.Pedro advertiu aos ministros a que evitassem andar atrás de autoridade ou posição, pelas quais poderiam cair no laço de ostentar altivez ou arrogância para com os membros da igreja. Ao contrário disso, pela santidade de suas vidas, deveriam cuidar de suas ovelhas e tornar-se modelos do rebanho, pois Deus não fica indiferente ao modo como sua Igreja é tratada.

Estas advertências, seguramente, basearam-se em sua autoridade como testemunha ocular dos sofrimentos e morte de Cristo. Pedro também viu a glória divina manifestar-se nEle por ocasião de sua transfiguração no monte santo (2 Pe 1.17,18; Mc 9.2-7). O apóstolo mostra que tinha plenas condições de transmitir àqueles crentes uma mensagem resultante da sua experiência de sofrer por Cristo e de participar da sua glória.

 

As incumbências do oficio pastoral

  1. “Apascentai o rebanho de Deus”(v.2). Aqui o verbo “apascentai” é literalmente pastoreai. A ideia subentendida é a de um pastor cuidando do seu rebanho de ovelhas. O substantivo correspondente aparece em Ef 4.11, onde a Palavra fala de homens que Deus deu à igreja, com responsabilidades específicas – essas responsabilidades pastorais assinalam ministérios que são mais que simplesmente alimentar. A expressão “apascentar” exprime em resumo o tríplice ministério do obreiro:
  2. a) prover o pasto,
  3. b) conduzi-lo pelo caminho que leva ao pasto e
  4. c) proteger o rebanho ao longo do caminho que leva ao pasto. Ver Hb 13.17.
  5. Pastorear com cuidado. A expressão “apascentai” também adverte os que são chamados para esta obra divina a não pastorearem a si mesmos em detrimento ao rebanho de Deus, como fizeram os líderes de Israel no Antigo Testamento. Os que assim fazem exploram as ovelhas, como mostra Ez 34.2-5. O pastor cuidadoso deve aprender a estar alerta, guardando seu rebanho, porque as ovelhas do Senhor foram adquiridas por alto preço: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (At 20.28). Ver 1 Pe 1.18,19.

 

Maus procedimentos que o obreiro deve evitar

 

  1. Não por força. Significa que o pastor não deve servir porque é compelido a fazê-lo, e sim, porque sente prazer em cumprir os desígnios de Deus para o ministério, e o faz voluntariamente. Quando um obreiro, seja qual for a sua categoria, falha em seu ministério, insistindo numa posição contrária a obra e vontade de Deus, ele sofre, se desgasta, se prejudica, torna-se omisso e faz todo o rebanho sofrer.
  2. Nem por torpe ganância. É repugnante o obreiro que trabalha motivado exclusivamente pelo lucro material. Isso é mercenarismo, “ganho desonesto”, e foi reprovado por Jesus (Jo 10.12).

 

Pedro não estava proibindo uma compensação digna pelo bom serviço prestado pelos pastores, mas antes combatia a tendência de certos homens de só olharem para a vantagem econômica. Os ministros devem servir por amor a obra do Senhor, e não calculando o lucro que o seu trabalho lhes pode oferecer. Aqueles que se deixam dominar por este desejo ficam sujeitos ao pecado da cobiça, podendo até, por amor ao dinheiro, envergonhar o genuíno evangelho de Cristo. Entretanto, a respeito do verdadeiro ministro, disse o Mestre: “digno é o obreiro do seu salário” (Lc 10.7; 1 Ts 5.17,18; Mt 10.10; 1 Co 9.7-14; 1 Tm 5.17). A Lei já preceituava isso (Dt 25.4).

 

  1. Como dominadores. A Palavra aqui é incisiva ao fazer alusão as pessoas com essa postura. O pastor não deve servir como alguém que “domina” o rebanho. Mas, como exemplo, estando sempre à frente, liderando o rebanho, em vez de estar atrás, pressionando-o. É um absurdo para o obreiro, servo que é, inverter o seu papel no exercício do seu ministério (vide 5.3a). Um dos indícios disso é o autoritarismo.Muitas igrejas têm sido divididas ou destruídas porque seus líderes querem manter o controle e o poder sobre o rebanho do Senhor pela força de suas decisões egoístas e carnais. Jesus reprova estas atitudes e enfatiza que os que são por Ele chamados são servos (Mc 10.42-45). Ele mesmo deu o seu exemplo nesse sentido (Jo 13.15 cf. Mc 10.45).

 

Concluindo

O obreiro (inclusive os da Escola dominical) no exercício da sua missão devem ser exemplos vivos para suas ovelhas, a partir do modelo do Supremo Pastor, que é Cristo (1 Pe 5.3; 2.21; 1 Co 11.1; Fp 3.17; Hb 13.7). O nível espiritual da igreja dificilmente se elevará acima do nível de integridade espiritual de seu pastor. Palavra e vida devem corresponder uma à outra.

“De um modo geral, a expressão ‘mais idoso’ era normalmente traduzida entre os cristãos pela palavra grega presbítero. Todavia, entre algumas igrejas puramente gentias, que desconheciam os costumes judaicos, as expressões mais idoso e presbítero significavam, via de regra, um homem de idade, e não propriamente um líder. Para que não houvesse confusão, passaram a usar o termo episcopos – inspetor, superintendente. No período do Novo Testamento, os termos bispo e mais idoso eram usados de forma intercambiável com líder, que correspondia a pastor.

Nos séculos seguintes, o pastor da igreja principal da cidade passou a ser intitulado de bispo, enquanto os pastores assistentes e os das igrejas menores, ou filiadas eram chamados de presbíteros. Com a evolução do processo, marcado pela degeneração, uma hierarquia já estava a comandar a igreja. Os bispos passaram a chefiar os demais, e o termo presbítero corrompeu-se para sacerdote, que nada tinha a ver com a palavra similar do Antigo Testamento. Mas, como já dissemos, os termos mais idoso, presbítero e bispo eram usados indiferentemente nos dias de Pedro.

 

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