Ame seu esposo antes que seja tarde! Discutindo Relação – Claudia Regina

Por em 23 / fevereiro / 2017

“Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor”. (Cantares de Salomão 2: 15).

 

Tudo começa quando deixamos o amor esfriar e quando deixamos os problemas do dia a dia afetarem o relacionamento. Começam a vir as desconfianças, as cobranças, as diferenças, e na grande maioria das vezes esses pequenos desentendimentos começam da nossa parte. Nós, mulheres, às vezes ficamos um pouco “paranoicas”, e damos uma viajada e por um motivo ou outro logo queremos “discutir a relação”.

Muita calma nessa hora! Eu, particularmente, não gosto desse termo: “discutir a relação”, porque em uma discussão nenhuma das partes tem razão. E na maioria das vezes, quando se discute a relação, um cônjuge sempre aponta o erro do outro. Eu prefiro usar outros termos, como, conversar, trocar ideias, comunicação; ação, efeito ou meio de comunicar-se, aviso, informação, esclarecimento, trato, amizade.

Os pequenos problemas que vão surgindo ao longo do relacionamento, aos quais, muitas vezes os ignoramos por serem, naquele momento, pequenos e de pouca importância, na verdade, ao longo do tempo, eles se tornam grandes problemas e muitas vezes difíceis de serem sanados. Por isso não deixe para lá os pequenos acertos, coloque-os sempre na pauta de suas conversas. Mesmo que seja um pouco desagradável no momento, mas no futuro surtirá um grande resultado positivo para seu relacionamento.

Vamos falar um pouquinho da “comunicação”; comunicação significa o processo que envolve a troca de informações e ideias.

         Eu gosto muito mais da palavra comunicação, do que da expressão DR: discutir a relação, porque quando falamos para o nosso companheiro vamos discutir a relação, já soa aos ouvidos dele “isso não vai acabar bem”! E o pior é que ele está certo, sempre que fazemos isso, na verdade o que estamos querendo dizer é: “você precisa ouvir umas verdades, você tem feito algumas coisas erradas”, e nós, por outro lado, sempre somos as vítimas. Agora, em contra partida, a comunicação acontece no dia a dia, naturalmente, sem hora marcada. Quando alguma coisa não vai bem, o casal logo percebe e logo resolve aquela diferença, não precisando deixar aquilo remoer no coração, e não de forma inesperada, quando lá num belo dia se despeja um monte de coisas passadas, isso não é comunicação.

Nós, mulheres, temos esse péssimo hábito de guardar ressentimentos, às vezes coisinhas bobas do passado, até mesmo do namoro; e no meio de uma discussão esses ressentimentos aparecem. Minha querida leitora, se você está realmente disposta a restaurar seu casamento, primeira regra: esqueça o que se passou, não importa o que seja: deixe no passado o que ficou no passado. Perdoe, o perdão é um poderoso aliado na restauração de qualquer relacionamento, principalmente conjugal, além de fazer bem para a alma, também é um ótimo remédio para muitas outras doenças da nossa carne. Ele não somente é um sentimento nobre; posso dizer que o perdão é praticamente cinquenta por cento dos seus problemas resolvidos. Então, minha querida leitora, perdoe e seja feliz.

Agora esta questão da comunicação é muito importante desde o primeiro encontro, em que se tem a certeza de que ele é o amor da sua vida, porque, como disse no início do primeiro capítulo, quando estamos namorando, tudo é lindo, maravilhoso; tudo que ele faz é perfeito, tudo o que ele fala é puro romantismo e você acha tudo lindo, fofo, etc.

Vou lhe contar algo que aconteceu por esses dias, quando eu estava em sala de aula e ouvi uma moça dizer para a outra que ela não gostava de ir ao cinema, porque o achava chato. Mas no começo do seu namoro, ela ia ao cinema todos os finais de semana com seu namorado, até chegar a um dia em que ela disse para ele: “Chega, eu não aguento mais ir ao cinema; eu detesto cinema, acho isto chato, careta, brega!” Então ele respondeu: “Mas então, por que você sempre ia comigo, por que não disse que não gostava?” Ela retrucou: “ Eu estava apenas te conquistando!” Então, você pode me responder que isso é normal? Na verdade não é normal. Começar um relacionamento sendo uma pessoa que não é, e fingir gostar do que você não gosta só para agradar o outro, isso não é legal; a base de um relacionamento tem que ser a verdade, para que mais tarde não haja cobranças nem desconfianças. É certo que, com alguma influência e a falta de maturidade cometemos erros, porém eles não poderiam permanecer. Logo, temos que nos corrigir e nos livrar de algumas influências que somente aparentemente parecem nos fazer bem.

Mas se hoje você já está casada e há muita coisa que você continua fazendo mesmo sem gostar só para agradá-lo, é hora de repensar e esclarecer aos poucos, para que mais tarde vocês não tenham maiores problemas. E quando falo que você faz coisas que não gostaria de fazer, só para agradá-lo, não quero dizer que agora você vai fazer o que lhe der na telha, não é bem por aí, amiga.

Existe também uma palavrinha embutida na comunicação que se chama “renúncia”. Dentro de todo relacionamento devem existir renúncias. Lembra-se daquela moça que disse não gostar de cinema? Então, tudo bem que ela não goste de ir ao cinema, mas dá pelo menos para entrar num consenso, ou seja, ir ao cinema em cada quinze dias ou uma vez ao mês, já que o parceiro gosta. Combinar, não é? Isso vale para qualquer outra coisa. Acho que vale a pena rever nossos conceitos, mesmo porque, e eu quero lhe dar um alerta, é necessário fazer algumas renúncias, porque estamos cercadas de concorrentes querendo fazer aquilo que nós não gostamos de fazer! E, aliás, nossos esposos também fazem suas renúncias; é que na grande maioria das vezes, eles não se expressam, simplesmente renunciam.

Por falar em comunicação, vou compartilhar algo com vocês que aconteceu comigo há décadas atrás, bem no início do meu casamento e que veio desde o namoro, que era a falta comunicação. Eu me lembro de que, quando namorávamos, sempre surgia uma discussão ou outra. Coisas de namorados. Hoje acho uma tremenda perda de tempo casais com briguinhas bobas ao invés de aproveitarem o tempo para se curtirem e se conhecerem. Mas demorou um pouco para eu entender isso e acho que com você também aconteceu. E se está acontecendo, desejo que mude. Lembro-me de que brigávamos por coisas banais. Aliás, era eu quem sempre começava, eu era muito chata, ciumenta, tudo era motivo para ficar de birra. (Ô pessoa chata, eu!) E então virava a cara, ficava emburrada. Na minha definição, o nome já diz: emburrada= burra! E para mim, era ele que sempre deveria me pedir desculpas ou até mesmo perdão. Eu achava que nunca estava errada, mas sempre certa. Às vezes ficávamos horas sem falar um com o outro, até que ele cedia e me procurava para pedir desculpas. Então ficávamos numa boa. Tal atitude foi virando rotina e levei isso para o nosso casamento. Péssima ideia! Tivemos vários momentos bem desagradáveis por minha causa, mas houve um que me marcou bastante, e depois dele mudei radicalmente minha postura.

        Eu estava grávida do meu segundo filho e gostava muito de comer “pizza” de mussarela. Quase todos os finais de semana era “pizza” de mussarela, não podia ser outra. Mas teve uma noite, tínhamos acabado de chegar em casa e estávamos muito cansados, por isto fomos dormir cedo. Mas me deu uma vontade louca de comer “pizza” de mussarela, que chamei meu esposo e pedi para ele comprar uma “pizza” de mussarela pra mim. É claro que ele disse não, já estava dormindo, cansado, então comecei a perturbá-lo tanto, que ele se irritou. Levantou-se e foi comprar a bendita “pizza” de mussarela, muito chateado e contrariado. Logo voltou com a “pizza” e foi dormir muito chateado, não quis nem saber de comer. Pois acreditem! Eu comi a “pizza” toda! Mas isso não foi o pior: eu peguei meu travesseiro, um lençol e fui dormir no chão da cozinha! É claro que não dormi! Fiquei lá chorando igual a uma boba, fazendo um papel ridículo de garota mimada. Então decidi ir para a cama sem falar com ele. A noite passou. No dia seguinte ele foi trabalhar. Ficamos sem falar um com o outro durante o dia todo. E, para variar, quando ele chegou, foi ele quem começou a conversar comigo. Conversamos sobre o que tinha acontecido e dessa vez foi eu quem lhe pediu desculpas.

        Para mim foi uma das piores experiências que já tive em meu casamento. Desde então nunca mais ficamos sem nos falar. E quando há algum desacordo tratamos logo de resolvê-lo, admitimos os nossos erros e nos perdoamos mutuamente. Isso é comunicação e é maravilhoso. Hoje, temos vinte e um anos de casados e agradeço a Deus por cada dia da minha vida por estar ao lado de um homem tão maravilhoso. E sei também que se isso é possível é porque tenho me tornado uma mulher muito mais maleável e compreensiva a cada dia. Existe uma frase que gosto muito, que diz: “A resistência não é de quem aguenta mais tempo, mas é o amadurecimento daquele que cede primeiro”.

 

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a sua ira”.

(Efésios 4:26)

 

Minha querida leitora, eu digo a você, não somos perfeitas e nem é essa nossa pretensão. Podemos nos irritar quando não concordarmos com algumas coisas, mas sempre somos capazes de compreender o lado do outro. Ainda mais quando esse outro é alguém que escolhemos para estar ao nosso lado para a vida toda.

 

E digo mais: nunca marque um jantar para discutir a relação; nunca expresse suas opiniões na hora de dormir ou depois do ato sexual. Espere o tempo certo e a melhor ocasião para debater as diferenças entre os dois ou colocar os “pingos” nos “is”, ok?

Pra Claudia Regina

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