A Face da Diaconia – Pr. Josimar Oliveira da Silva

Por em 21 / fevereiro / 2017

Esse texto é parte integrante do livro do pastor Josimar Oliveira da silva – A Face da Diaconia

 

A pergunta mais óbvia: O que oferecer ao caído?

A verdade.

Todos os homens precisam ouvir a verdade “nua e crua”, pois tudo aquilo que em sua essência não for a verdade, trará ao homem sem Deus, um estado pior do que aquele em que se encontra. Às vezes queremos oferecer “uma” verdade, mas isso não funciona, pois o ser humano precisa ouvir “a” verdade e conhecê-la, e a verdade o libertará (João 8.32). Trocamos a verdade por conselhos humanos tendo como base a filosofia. Isso jamais terá poder para gerar arrependimento em alguém, pois só a Palavra de Deus será capaz de levar o homem ao arrependimento e fazê-lo nascer de novo.

O caminho da ignorância dos fatos é bastante perigoso por ser uma trilha escorregadia que o levará a total destruição. O que precisamos frisar aqui é que a chegada do Senhor Deus ao Jardim do Éden foi para apresentar ao homem que tudo aquilo que Deus havia falado era verdade e que Ele não voltaria atrás. Deus os pune com amor. Para fazer isso, Ele não se afasta do homem, pelo contrário, faz isso bem de perto, “olho no olho” (Genesis 3.11-19).

Vestimentas de honra

Ele não só os pune, mas os veste (Gênesis 3.21). As vestimentas fabricadas por Adão eram vulneráveis ao tempo. Tais vestimentas não suportariam a temperatura que começaria a mudar na terra. Assim, Deus prepara para eles vestes duráveis e resistentes, e os veste.

Diaconia é um ato feito ao próximo não quando estamos ignorando os acontecimentos à sua volta, mas quando temos a responsabilidade de responsabilizá-lo sem desprezá-lo, pelo fato do mesmo ser a imagem e semelhança de Deus.

Esse serviço não é oferecido a quem merece, pelo contrário é oferecido àqueles que não têm nenhum mérito. Isso se faz, com uma consciência de que esse ser é a imagem e semelhança do meu Deus, a quem eu digo sempre que o amo. Quando desprezamos pessoas, sejam elas quem forem, estamos desprezando a Deus. Muitos de nós queremos abraçar e beijar a Deus. Isso é lindo, gostoso e maravilhoso. Ele não tem nenhum odor, não exala nenhum mau cheiro. Ele deve ser sempre cheirosinho, limpinho, maravilhoso. Muito bom.

Enganamo-nos quando queremos viver assim. Deus não precisa de nenhuma ação diaconal de nossa parte, mas, sim, àqueles a quem ele criou sua imagem e semelhança, e agora se encontram caídos, esses sim precisam e muito. Esse homem caído e fedido. É ele a quem temos que abraçar.

O que nos faz lembrar a citação de Jesus a respeito da parábola do filho pródigo. Esse relato de Jesus está comunicando muita coisa a respeito da vida e da vivência humana. Ele fala do Reino de Deus que vem e habita no ser humano.

É interessante a gente lembrar a atitude do pai, quando vê o filho ainda distante. Corre, abraça e beija. Ele faz isso a um ferido e fedido, pobre e desgarrado, que volta sem absolutamente nada na vida. A única coisa que o filho trouxe foi a vida, ou a vida lhe trouxe e ela vale muito. Mas o trouxe com um pedido de perdão. Sem perguntas, o pai o traz para dentro de casa, honra-o diante dos trabalhadores mandando vesti-lo com o melhor vestido, melhor sapato e uma ordem para que seja posto um anel em seu dedo com símbolo de herança. Sem nenhum merecimento, ele torna-se herdeiro novamente.

O novilho cevado é morto para celebrar que a vida triunfou sobre a morte. Uma das frases repetidas pelo pai é sempre essa: “estava morto e reviveu, tinha se perdido e foi achado”. Esse pai celebra a vida. Tudo o que o filho não merece o pai lhe doa. Com a morte do bezerro cevado, aquela casa se transforma num ambiente de perdão e graça. Esse é um ambiente onde muitas pessoas sentem-se desconfortáveis. Não saber lidar com a graça é o que nos faz viver uma vida voltada para apontamentos para erros alheios ao invés de agirmos com misericórdia, bondade e diaconia. Essa é a casa da reconciliação, pois esse filho fora trazido impulsionado pelo arrependimento e encontra um pai que consegue enxergá-lo de longe e que corre abraça e beija-o, sem lhes fazer perguntas. A dívida esta cancelada. Não há quem consiga viver a vida na terra com perspectivas da eternidade, sem que possa ver que a mais bela de todas as cenas que existe é o homem arrependido sendo aceito por Deus através de Jesus Cristo. A igreja de Cristo é a única instituição na terra que consegue celebrar esse momento. Essa é a maior e mais bela cena que alguém pode contemplar. O cinema jamais conseguirá reproduzir tão grande ato. Quando o pecador vem a Jesus é abraçado, beijado e recebe palavras de boas vindas – e “pode entrar, a casa é sua e a festa é para você”. É a mesma imagem do Éden. Assim, não é suficiente mostrar ao pecador caído, seu pecado, suas transgressões, mas mostrar-lhe que existe esperança. A esperança retira o luto e traz uma nova expectativa (Gênesis 3.15).

O que nos faz lembrar é quando Jesus chega à casa de Marta e Maria em Betânia, Ele não chega como todas as pessoas chegavam ali. Ele vem para fazer diaconia. Ele não fala sobre luto, dores ou perdas, mas ali Ele fala sobre vida, esperança, e ressurreição. Não apenas fala, mas faz a vida brotar. O que é diaconia a não ser o rebrotar da vida em ambientes onde todas as possibilidades se desfizeram, onde não se consegue enxergar nenhuma saída, mas que através de ações voluntárias de pessoas que conseguem entender que esse ser agora caído, fora criado a imagem e semelhança de Deus? Qualquer confissão de fé feita por alguém, se não houver diaconia, essa fé não servirá, pois ela é morta. O que esta morto deve ser sepultado. Muitas pessoas precisam sepultar aquilo que elas chamam de fé, pois está cheirando mal e ofendendo não só a ela, mas aqueles que estão à sua volta. É preciso sepultar o discurso vazio por atitudes concretas, coerentes e relevantes que façam a diferença no ambiente de dor e lágrimas.

O que o caído merece?

Não só punição, mas graça e compaixão.

Nesse contexto social em que vivemos, ouvimos sempre e falamos: “fulano de tal tem o que merece”. Isso parece ser um consolo para nós, vermos sempre o outro no limite ou abaixo do mesmo. Será que isso nos torna mais gente? É possível que essa afirmação seja feita com um profundo sentimento de prazer, quando olhamos a situação do outro. Isso pode ser considerado um prazer sádico, quando um sujeito tem prazer no desprazer alheio. Há uma fissura que deixa transparecer tal sentimento, quando ouvimos algumas músicas cantadas em nosso meio, pois elas são sobrecarregadas com uma tonalidade de vingança, pelo fato de alguém está sentindo-se desprezado por outrem. Esses cânticos quando cantados na igreja, causam certa comoção pelo fato das pessoas identificarem-se com aquilo que está sendo dito através da letra de tais canções. Transferimos isso imediatamente ao campo da espiritualidade, sem menor questionamento.

Olhando a ação de Deus para com Adão, nos ensina que o caído não pode só receber o que merece. Se assim o for não haverá chance nenhuma para ele. Quando Deus diz que do ventre da mulher nascerá um que esmagará a cabeça da serpente, Ele está falando radicalmente de esperança no caos. Talvez esse seja o motivo da mulher ser tão hostilizada, demonizada e descartada na raça humana, porque ela trazia uma promessa que de seu ventre sairia alguém que seria o Remidor de toda uma raça. Diaconia é oferecer ao outro aquilo que ele não merece. Quando assim agimos estamos fazendo surgir esperança e estamos anunciando que a vida triunfa sobre a morte.

No Gênesis, mesmo mediante a toda tragédia, enxergamos redenção sendo oferecida ao homem caído. O Senhor Deus fez diaconia, porque ela começa Nele, pois Ele é a fonte de onde emanam todas as bênçãos e benefícios e justiça. E nós o que estamos fazendo? Tudo o que tentarmos fazer, se não for conduzido por graça e compaixão, estamos perdendo tempo. Oferecer ao outro o que ele não merece, é o maior ato de amor que podemos demonstrar, vestindo nosso próximo com vestimentas de dignidade e honra, e celebrando sua vida nova em Jesus.

O mundo não é belo. Ele tenta nos mostrar beleza, falando que os homens estão se reconstruindo independentemente de Deus. Todas as filosofias humanas são nada diante do Senhor. O mundo está em catástrofe, seja qual for a área. Os homens caminham em direção à morte e ao inferno, mas Jesus é o tronco que brotou “para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Todas as vezes que olhamos para o mundo e o homem que nele habita, com olhar de admiração, estamos pecando contra Deus, pois o homem está perdido em suas próprias invenções e maquinações. Toda a arquitetura e desígnio humano não passam de palha seca, estrutura que será amanhã comida pela traça e a ferrugem, tudo vai passar. As riquezas humanas são todas engano. Quando nos iludimos com isso deixamos de realizar uma das mais lindas tarefas que é o exercício do servir.

Servir é o ministério de todo salvo em Cristo

A primeira consciência que o servo precisa ter é de que serviço é uma ação de tempo integral e universal. Não existe um momento em que não estejamos servindo a alguém. Paul Tripp afirma: “nossa vida é moldada pela batalha entre o reino de Deus e nosso reino pessoal”. O fato de não querermos nos submeter aos desejos e as necessidades de outros, vai gerando um conflito incalculável. O que acontece é que muitas pessoas vivem uma vida buscando subterfúgios simplesmente por estarem buscando uma fuga para não ter que servir. O que percebemos são pessoas que vivem de fugas constantes; elas vivem ocupadíssimas consigo mesmas e com seu mundo que a qualquer momento irá desabar. O interessante é que pra pessoas assim, seu mundo é bem maior que elas e não conseguem dar contas das demandas diárias, e não percebem que estão correndo atrás do vento. Esses afazeres tornam-se verdadeiros tsunamis que irão destruí-las, e separá-las das possibilidades de enxergar o necessitado.

Uma das coisas mais escassas hoje é ouvir alguém nos perguntar: “Posso ajudar”? Essa é uma pergunta raríssima em nossos dias, pois não enxergamos as necessidades dos outros. Geralmente quando a ouvimos, são empresas de cunho financeiro que desejam manter o consumidor. Esse “Posso ajudar”? É difícil ser ouvido quando comunicado com sinalização filantrópica, sem o mínimo interesse de recompensas de benefícios sociais.

Quanto à igreja, o que se percebe é uma grande necessidade de serviçais. O pastor e autor Jonh Stott sempre perguntava quando os cristãos retomariam “o ministério de todos os santos”, no qual cada cristão exerce seus dons para ministrar aos santos. A ideia de que exista um grupo especifico na igreja e sobre tal grupo exista a responsabilidade de servir, enquanto que o restante simplesmente bate palmas ou critique, ela é completamente antibíblica e antiDeus. A carta de Paulo aos efésios 4.4-7, diz que: em uma só esperança, um só Senhor, uma só fé um só batismo; um só Deus e pai de todos, que é sobre todos, por todos e está em todos. Então todos os salvos em Cristo, estão engajados na mesma missão, na mesma visão e no mesmo propósito.

 

 

 

 

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